Tem coisa mais interessante nessa vida do que gente? O ser humano é uma das coisas mais interessantes que existe. Basta observar. Mas quando eu digo observar, não estou incentivando ninguém a ficar bisbilhotando a vida alheia. Nem acompanhar o que acontece no dia a dia de algumas pessoas, como se fosse novela ou um reality-show.
Quando eu digo observar, também quero dizer se aproximar. Em qualquer lugar é possível encontrar as histórias mais fantásticas, independentemente do quanto elas sejam simples ou comuns. Para falar a verdade, sou capaz de arriscar dizer que as pessoas simples e comuns estão se tornando cada vez mais difíceis de encontrar.
Semana passada fiz um curso voltado para a Internet e um dos assuntos que discutimos foi como na rede todo mundo é inteligente, engraçado, bonito... Quase perfeito. Na rede, seres humanos se tornam avatares, personagens que não precisam necessariamente corresponder à realidade. As redes sociais, como Twitter, Orkut, Facebook, para citar algumas das mais populares no País, dão essa oportunidade. Até onde isso é legal, fica difícil saber. Tudo depende do ponto de vista de cada um.
A mídia em geral tem noticiado histórias de pessoas que cada vez mais têm abandonado o mundo e o convívio real para manter contato com quem conhece apenas "online". Pela rede. Sem proximidade, sem toque. Mas, será que, a partir do momento que não se cultiva o "olho no olho" (sem que uma webcam esteja envolvida), o quanto nos expomos ou conseguimos conhecer bem o outro?
Não existe mais troca. A troca que existe é virtual.
E, de repente, é tudo tão artificial, que nós perdemos a nossa humanidade, e deixamos de prestar a atenção no que fazemos e no que os outros fazem. Ligamos o piloto automático. Não existe mais sentimento, não existe mais emoção, não existe mais olho no olho, o toque. As histórias também deixam de existir desta maneira. Sua existência caminha para um resumo em 140 toques. Um botão que diz "enviar".
Por outro lado eu também acredito que a internet é uma das coisas mais geniais inventadas pelo ser humano. Quando deixamos de ser escravos da rede e desenvolvemos uma relação de parceria com ela, é realmente muito legal. Porque é possível ultrapassar o obstáculo do virtual e transpor amizades, histórias, experiências para o mundo real. E, por que não, fazer o caminho inverso e, assim como as amizades, também compartilhar as histórias do mundo real no mundo virtual.
Isso acontece muito nos blogs. Às vezes eu consigo encontrar depoimentos fabulosos. Ultimamente, que tenho trabalhado mais com esse meio, tenho me encantado com o talento que algumas pessoas têm de transformar a vida em literatura digital.
Ainda assim, é preciso prestar atenção em tudo e todos que estão próximos a você. E lembrar que não somos máquinas, mas simplesmente usamos as máquinas. Elas são uma ferramenta, não um meio de vida. O que você faz com elas é o que realmente importa no final das contas.