O Brasil vive um momento único, fruto de um fenômeno iniciado há algumas décadas, com a diminuição da taxa de natalidade e com o aumento da expectativa de vida. Estamos dentro daquilo que os especialistas chamam de "bônus demográfico". Na prática, significa que a população economicamente ativa hoje é maior do que a não-ativa, sendo esta representada em grande parte pelos cidadãos que ainda não entraram na vida adulta e por aqueles que já se aposentaram.
Dentro da população economicamente ativa, o cenário brasileiro também é favorável: a taxa de desemprego deste grupo está hoje em torno de 6%, número pra lá de saudável, em contraposição com países da União Europeia, que amargam uma média de 22,9% de desempregados atualmente.
São números a se comemorar, certo? Sim e não. Mesmo com todos estes cenários macroeconômicos jogando a favor, o nosso déficit educacional deixa, e muito, a desejar. A falta de qualificação, principalmente nas competências comportamentais, tem tirado o sono de muitas empresas, especialmente aquelas com quadros defasados de liderança, seja pelo número de pessoas, seja pelo estilo gerencial de muitas de suas cabeças.
Muitas organizações vêm assumindo para si o compromisso de sanar a deficiência educacional de base através do treinamento e desenvolvimento de seus quadros. Porém outras tantas continuam na contramão, optando por não criar nenhuma situação real de desenvolvimento para seus colaboradores, pelo medo de que, quando o colaborador esteja pronto, a concorrência o abocanhe. Um medo válido, porém míope. Afinal, quanto mais empresas investirem em treinamento e desenvolvimento de pessoas para atuação nos seus respectivos mercados, mais estes mercados se fortalecem, ao mesmo tempo em que se reduz o risco de perder talentos.
Mesmo em um cenário positivo, este é um gargalo real que os empreendedores brasileiros precisam enfrentar, e que torna-se mais urgente a cada dia, em que a oferta de profissionais é inversamente proporcional à de diplomas, causando o chamado Apagão de Talentos.
O salto que o Brasil há de dar não virá do investimento em mercados de ações, da exploração de commodities, da realização de grandes obras e eventos. Virá, sim, do investimento em pessoas e na educação.