Nas palestras e conferências que ministro, costumo aplicar algumas dinâmicas que reforçam a necessidade de se observar antes, em qualquer situação, o componente positivo que ela carrega. Os resultados surpreendem e comprovam que somos treinados para buscar o erro, o problema, desconsiderando, a partir desse achado, todo o resto. A capacidade de filtrar e perceber o positivo, aos olhos dos mais céticos, daqueles que questionam a capacidade de um trabalho de revisão comportamental, pode até ser interpretada como "visão de Pollyana", a hoje já senhora personagem da literatura juvenil, que apenas via o belo da vida. Porém, na prática consciente, filtrar e assimilar o fator positivo que existe nas situações que vivemos, e presente em todas as pessoas com quem interagimos, principalmente nos trabalhos desenvolvidos em equipe, é uma simples e talvez uma das melhores ferramentas para estimular a motivação, tanto em nós, quanto nelas.
Observar o positivo não significa fazer vista grossa ao erro, incentivar o desacerto e tolerar a falta de atenção, pois aí estaríamos caindo para o outro lado: o da falta de controle, da complacência, que pode acabar em desastre. Mas perceber o esforço empreendido, a história que cada um carrega consigo e conseguir a partir deles criar um ambiente de confiança, pode ser a receita que muitos gestores de pessoas buscam. Podemos considerar essa atitude como a segunda pedra sólida e firme a se pisar no tortuoso caminho das negociações, lembrando que o nosso dia é repleto delas. A primeira é a busca de pontos em comum, nem que estes se resumam ao branco dos olhos.
É comum, especialmente no debate entre alguns acadêmicos, a necessidade de praticar o que costumo chamar de "conhecimento subtrativo": o que eu sei, menos o que você sabe, certifica (ou não) o quanto estou à frente (ou atrás) de você. Mas, convenhamos: abordando o que é positivo, ou seja, ouvindo e percebendo que o que as pessoas carregam de conhecimento consigo, sabendo que ele é o fruto de uma experiência única, não seria muito melhor promover a soma, a multiplicação? Chegamos, enfim, à proposta do "conhecimento aditivo" ou "multiplicador": o que eu sei, mais (ou vezes) o que você sabe, enriquece tanto a minha quanto a sua experiência.
Eduardo Zugaib é profissional de comunicação, escritor e palestrante