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  • CRÔNICA - GRACILA GRECO MANFRÉ

  • Tudo novo de novo

    Mais um ano que se inicia. Projetos novinhos em folha. Uma maravilha de planejamento, a começar, é claro, pela famosa dieta e volta às atividades físicas. Coragem para trabalhar, de sobra. E para estudar, então? Uma beleza para donos de escola especializada em cursos extracurriculares! A gente sente que nasceu com a disciplina a tira-colo e tendo o tempo como melhor amigo. Em tudo. Para tudo. Apesar de tudo... Não adianta fugir. É um mal contagioso. Se você não estiver, a esta altura, imbuído desta sensação, certamente os que o rodeiam estão. É só ter olhos observadores.

    Como as notícias de jornal, que nascem e morrem em um dia (?), assim também as promessas desta época. Só que o prazo é outro! É de ano em ano. O que é interessante, e chega mesmo a ser engraçado, é o fato de sempre nos lembrarmos dos acontecimentos que não foram planejados em nenhum momento. Tudo aquilo que chegou inesperadamente e se alojou em nosso caminho é justamente o que será sempre lembrado. Seja um novo amor, um acidente, uma viagem inesperada... O tom e a cor da vida surgem nesses momentos, já que não há ensaio para a própria vida. Impossível não citar Guimarães Rosa quando diz que "o aprender a viver é que é o viver mesmo..." Maior das verdades.

    Se a gente pára um pouco para pensar no passado, pode verificar a mistura de tudo em nossa memória nessa aventura louca do viver. Quase nunca o que foi guardado segue uma ordem lógica. Puxamos um fio qualquer e lá vem história: sentimentos antigos de mãos dadas com os de ontem, gente lá de trás morando parede-meia com gente que acabamos de conhecer, idéias antigas filosofando com o que sonhamos na semana passada...

    Sabe por que isso acontece? Porque o tempo não existe. Já disse certo Menino-Passarinho: "Porque o tempo é uma invenção da morte:/ não o conhece a vida – a verdadeira-/ em que basta um momento de poesia/ para nos dar a eternidade inteira./ Inteira, sim, porque essa vida eterna/ somente por si mesma é dividida:/ não cabe, a cada qual, uma porção./ E os Anjos entreolham-se espantados/ quando alguém – ao voltar a si da vida/ acaso lhes indaga que horas são..."

    Pelo sim, pelo não, continuem os projetos! E Feliz Ano Novo!

     

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