Ainda a propósito do imóvel tombado no Largo do Bom Jesus, esquina com a Rua Ricardo Vilela, escreve-nos seu proprietário:
Sr. Ornellas
Fico muito agradecido pela sua atenção e esteja à vontade se pretender publicar o texto que enviei. Talvez ele seja muito pouco elucidativo em relação aos problemas e responsabilidades que acabam caindo na maior parte sobre o proprietário. Pelo que entendi, durante os estudos da elaboração da Lei de Tombamento, estaria incluso o direito do proprietário em obter recursos para restaurar o imóvel por meio da negociação do "potencial construtivo" do imóvel tombado.
Parece que este item precisaria ser regulamentado e faz parte do Plano Diretor que ainda não foi aprovado. No momento, além da isenção de taxas em caso de realizar obras, o único "benefício" que tenho direito é a isenção de 75% do IPTU que no meu caso seria um benefício de R$870,00 para "conservar" um imóvel com 43m de calçada e 260m2 de área construída.
No início de 2009 consegui terminar a reforma do telhado graças a recursos deixados por meu tio que antes cuidava da casa e veio a falecer em julho de 2008, mas mesmo assim não consegui, por falta de recursos, refazer o acabamento.
Desculpe se estou me alongando demais. Sinto um enorme carinho pela casa onde meu avô, Antenor de Souza Mello, junto com minha avó Elisa, moravam e tinham um comércio de "Seccos e molhados, ferragens e louças", que funcionou até por volta de 1954 com meu tio Nelson de Souza Mello, expedicionário da FEB. Nesta casa nasceram meu tio Benedito e minha mãe Maria todos, incluindo meu tio mais velho Heitor, já falecidos.
No mês passado consegui ver as imagens que o escritor Mário de Andrade e o casal Levi-Strauss registraram em filme em maio de 1936 durante os festejos da Festa do Divino (Cavalhada). Até o momento foi a única vez que pude ver uma imagem do antigo Largo do Bom Jesus, pois não há fotos. Personagens tão ilustres e um fato desconhecido por muitos não?
Por todos estes motivos, sinto-me até ofendido quando leio no jornal: "Agora o imóvel não poderá ser demolido". Se tivesse esta intenção não teria reformado o telhado com tanto custo e deixaria tudo desabar.
Mas, sinceramente, devo dizer que há momentos de muito desânimo, pois me vejo sem nenhum apoio e orientação. Quem sabe poderemos juntos encontrar soluções para realmente preservar a história da nossa Cidade.
Continua aberto o convite para conhecer a casa e um pouco de sua história. Envio uma foto de meu avô, esposa e filhos.
Obrigado,
João Camargo