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  • CRÔNICA - JOSÉ SEBASTIÃO WITTER

  • Encontros no Shangai

    Quem pode ser considerado mogiano pelo nosso colunista Chico Ornellas também se lembra que o atual Shangai – considerado centro - já foi um Bairro distante e ali onde fica o Largo, praticamente a Cidade acabava e surgiam os campos, os brejos e a Chácara da Yayá. Nada existia depois do Shangai, ou melhor lá longe, muito longe, ficava o Bairro do Socorro e a Estância dos Reis. Quem se lembrar da Mogi que falo, sem universidade e sem prédios de arranha-céus, viveu bastante essa outra Mogi.

    Mas, quero falar um pouco do atual Shangai, que mantém, ainda, seus encantos.

    Ando bastante por nossa Cidade. Além das caminhadas matinais, faço quase tudo a pé. É bom andar. E é nesse caminhar que tenho meus encontros em toda Cidade, mas em especial no Shangai, onde vivo e convivo com muita gente e, em especial, com alguns amigos de todas as idades.

    Dia desses, quase um encontrão na esquina da Navajas com a Dr. Corrêa, e me surge uma figura ímpar de nossa Cidade... Quem não conhece o incomparável Mário da Farmácia! Pois é, quase trombamos naquele cantinho onde fica o Bar Roana – também de muita história.

    Mário parou para uma conversa que começava com a leitura desta coluna e continuou com os tempos em que aplicava injeções em todos nós, mas especialmente nas minhas crianças, que sempre tinham suas gargantas inflamadas. Outros tempos em que as farmácias faziam plantão e todas as noites havia um farmacêutico dormindo em suas dependências para atender aos que precisavam de seus préstimos. E não só atendiam no local, como iam até os domicílios, onde alguém precisasse de ajuda. Em geral na porta da farmácia, de madrugada, havia um pequeno aviso de volto já. E a gente esperava.

    Mário começou a falar de tantos amigos comuns e a lembrar do que foi a Cidade na metade do século 20, quando ele começava a viver esta realidade entre as serras do Itapeti e a Serra do Mar. Lembrou das primeiras iniciativas da abertura da Estrada de Bertioga e a aventura de comprar um pequeno terreno lá embaixo. E das pescarias que fazia naquele mar tão belo e tão distante. E de tantas idas e vindas em busca da paz que Bertioga oferecia.

    Na sequência, como é inevitável, lembramos dos amigos e em especial do professor Miled Cury Anderi e do Chiba, que também vivem no Bairro e são encontros obrigatórios. O professor Miled sempre vejo, pela manhã e à tarde, ali na padaria Ono. E neste fim de ano me brindou, mostrando a sua coleção de presépios. Que coisa mais linda!

    Mas fiquemos por aqui e até.

     

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