Poucas vezes minha coluna cai, exatamente, na véspera do dia de Natal.
Quando acontece, gosto de presentear meus leitores e a mim mesmo com alguma evocação à data.
Quase não se comemora mais a Festa Natalina como nos meus tempos de criança.
São poucas as famílias que ainda armam, em conjunto, o presépio e envolvem as crianças
nessa bela tarefa.
Quantos ainda enfeitam as árvores com carinho, sem pressa, a partir de alguns dias antes de 25 de dezembro?
Gosto de sentir todo o clima e viver um pouco da fantasia que o ‘renascer’ de Cristo nos traz.
Por isso tento, com Machado de Assis, lembrar um pouco e homenagear o nosso escritor
maior neste seu ano muito especial.
Feliz Natal para todos...
José Sebastião Witter
Soneto de Natal
Machado de Assis
Um homem, — era aquela noite amiga, Noite cristã, berço no Nazareno, — Ao relembrar os dias de pequeno, E a viva dança, e a lépida cantiga,
Quis transportar ao verso doce e ameno As sensações da sua idade antiga, Naquela mesma velha noite amiga, Noite cristã, berço do Nazareno.
Escolheu o soneto... A folha branca Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca, A pena não acode ao gesto seu.
E, em vão lutando contra o metro adverso, Só lhe saiu este pequeno verso: "Mudaria o Natal ou mudei eu?"
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