Um assunto ocupou grande destaque em nossas páginas nesta semana que se encerra. Trata-se do grande número de imóveis abandonados existentes em Mogi das Cruzes. Chama a atenção o fato de estarem espalhados pelos mais variados bairros da Cidade. Nem o Centro está livre desta situação incômoda. É um fenômeno generalizado, como puderem constatar os nossos leitores por meio das inúmeras fotos que ilustraram as reportagens. Como tais imóveis se transformam em pontos de encontro de marginais, traficantes e usuários de drogas, entre outras finalidades tão nobres quanto, urge a criação de uma política pública para combater o problema.
A adoção de uma política urbana que coíba os proprietários desses imóveis a deixá-los abandonados à própria sorte poderia ajudar no equacionamento do problema. Até o momento desconhece-se qualquer regra ou lei que regule a questão. Se ela porventura existir, pior ainda, porque, neste caso, denunciaria uma falha gigantesca, para não dizer prevaricação evidente, do setor de fiscalização da Prefeitura por não autuar os donos dos imóveis captados pelos fotógrafos deste jornal em flagrante delito. Esteja acontecendo uma coisa ou outra, o certo é que a situação atual não pode continuar persistindo em um Município que acaba de reajustar os valores de seu Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).
Embora esta seja uma justificativa mais do que suficiente, não é apenas o fato de se transformar em ponto de encontro de bandidos ou território para consumo e venda de entorpecentes que estes locais precisam ser combatidos pelo governo municipal. Eles têm atormentado e trazido insegurança para os vizinhos. É preciso que se crie alguma política, com o devido respaldo jurídico, para se enfrentar este verdadeiro descaso que deixa a Cidade mais feia e perigosa. Tanto a Prefeitura quanto a Câmara, além de entidades da sociedade civil ligadas à arquitetura e ao urbanismo, poderiam ajudar no desenvolvimento de ações e propostas. Enfim, é preciso dar início a um amplo debate sobre o assunto.
É claro que a atual administração, encabeçada pelo prefeito Junji Abe (PSDB), não terá mais tempo para dedicar ao assunto a atenção que ele merece. Faltam menos de dois meses para o término da atual gestão. Fica, portanto, mais uma boa sugestão para o sucessor Marco Aurélio Bertaiolli (DEM), que em seus mandatos de vereador e deputado estadual, além de sua passagem pelo comando da Associação Comercial, sempre demonstrou um zelo bastante grande com o visual da Cidade. A persistirem da maneira em que se encontram, tais imóveis deterioraram a paisagem urbana, além de se transformarem em ilhas de insegurança. Algo tem de ser feito, de maneira legal evidentemente, para mudar esse quadro.