O mapa da violência em Mogi das Cruzes aponta que a maior parte das ocorrências registradas pela Polícia Civil é cometida dentro de casa, e contra a mulher. A cada cinco horas, uma vítima do sexo feminino é agredida por meio de chantagem e ameaças, ou ataque físico. Os números mostram que idosos e crianças também são negligenciados, na maioria das vezes, por familiares próximos.
A diferença entre o total de casos envolvendo homens e mulheres revelam o quanto eles subjugam elas. Dos 1.681 boletins de ocorrência computados pela Polícia Civil desde fevereiro do ano passado, apenas 94 eram vítimas do sexo masculino. O restante, 1.587 eram esposas, namoradas, filhas e mães.
Os dados personificam uma situação dramática, alimentada pela desinformação e pela impunidade. Apesar do aumento do número de denúncias, profissionais e autoridades sabem que a violência real deva ser bem maior do que a expressa por estes números. A mulher dependente financeira e emocionalmente do companheiro denuncia os abusos apenas em casos extremos. Em geral, suporta calada. Um dos motivos para isso é a falta de perspectiva de sobrevivência, muitas não possuem profissão, e se veem sem ter onde morar e como cuidar dos filhos.
Tão elementar quanto incentivar a denúncia da violência, é estabelecer uma rede de atendimento para a proteção e acompanhamento das vítimas mogianas. Para isso, torna-se necessário o desenvolvimento de políticas públicas para o amparo dessa parcela da população.
Ao tornar pública essa realidade e administrar a notificação dos dados sobre os boletins de ocorrência, prevista em uma lei municipal, a Secretaria Municipal de Saúde dá um passo importante para combater esse drama social e familiar. E demonstra que a violência contra a mulher, a criança, o idoso começa a ser tratada de maneira contínua e responsável por atores do poder público e judicial, e da sociedade civil.
As duas Caminhadas pela Paz realizadas ontem para chamar a atenção de todos para esse tipo de violência e a exploração infantil são caminhos acertados. Mas, será necessário bem mais do que isso. Esse problema tem raiz na falta de educação, de respeito ao outro, e de conscientização sobre os direitos dos cidadãos. Que, pelo que se registra - e para nossa indignação -, têm sido violados de maneira covarde e impunemente.