A que nível chegou o desrespeito do mogiano com um de seus patrimônios ambientais mais ricos! No sopé da Serra do Itapeti, eleita recentemente uma das sete maravilhas de Mogi das Cruzes, desenvolve-se há três anos um amontoado de casebres, todos eles irregulares, que, se não for combatido em tempo, poderá originar uma nova favela no Município, além de comprometer a fauna e a flora da reserva de Mata Atlântica. Embora sendo denunciados praticamente todos os dias por este jornal, os moradores parecem não se incomodar nem um pouco. Pelo contrário. Desafiando as autoridades, divulgam até a data em que pretendem incorrer em mais ilegalidade, ampliando o número de construções.
Nem mesmo o fato de os imóveis estarem sendo erguidos em uma área que não é considerada de preservação permanente ajuda a diminuir a gravidade do ato ilegal que está sendo cometido diante dos olhos de todas – frise-se: todas – as autoridades ambientais do Município e do Estado. Afinal, o grande problema é o inchaço que tais núcleos habitacionais geralmente sofrem com o passar do tempo. Se nada for feito, aos casebres atuais devem se juntar outros dentro de pouquíssimo tempo. Dois deles, contou-nos candidamente um morador, serão iniciados já neste domingo. Quanto tempo vai demorar até que as árvores sob proteção ambiental comecem a ser derrubadas e substituídas por choupanas? A história nos mostra que não muito.
O noticiário e a memória dos mais antigos estão recheados de exemplos desta natureza - sem trocadilho. Quando as ocupações irregulares não são combatidas de imediato, a área se degringola. Ambiental e socialmente. E não aceitamos o argumento de que retirar as famílias seria uma atitude cruel com os que ali se instalaram. Trata-se apenas de uma desculpa, esfarrapada, dada por quem não tem uma boa justificativa para explicar por que não é feito nada para se evitar o ataque constante à Serra do Itapeti. Impiedoso mesmo é manter essas pessoas sem nenhuma assistência e vivendo em condições ultrajantes, sem distribuição de água potável ou coleta de esgoto. Em vez de aplacar a situação, este tipo de raciocínio só a complica. A um erro ambiental soma-se outro, o de omissão social. E a imagem das autoridades só faz piorar.
Um último aviso: não desistiremos de nossas críticas, algumas vezes feitas com a firmeza que o assunto merece, e das denúncias de novas ocupações em nossas páginas até sentirmos que as autoridades estão se mobilizando para desenvolver uma ação efetiva para proteger a Serra do Itapeti, que pede socorro. Permaneceremos vigilantes para que não se perca, como ocorreu em outras localidades, patrimônio ecológico de valor imensurável que a própria população de Mogi das Cruzes elegeu, com toda razão, como uma de suas principais maravilhas.