Apesar de comportar quase mil detentos a mais do que a capacidade para a qual foi projetado, o Centro de Detenção Provisória instalado no Bairro do Taboão, permanece recebendo presos do Vale do Paraíba. Foi o que admitiu a O Diário o delegado de Jacareí Tális Prado Pinto: "É verdade que esta prática continua e não sabemos até quando ela vai vigorar". Muito preocupante. Inaugurado em 15 de outubro de 2002, o CDP deveria acomodar somente acusados residentes nas cidades da região de Mogi das Cruzes. Não é o que vem ocorrendo, no entanto. Enquanto a unidade mogiana incha, as autoridades insistem no eterno discurso de que a situação é momentânea.
Nos dez meses em que a transferência de presos se tornou uma rotina em Mogi das Cruzes, segundo apurado pela nossa equipe de reportagem, mais de 700 detentos foram trazidos do Vale. O resultado é a insegurança dos agentes e a possibilidade de ocorrer uma rebelião. Atualmente, de acordo com informações divulgadas pelo sindicato da categoria, cada funcionário é responsável por cuidar de 26 presos, sendo que, dezesseis anos atrás, a proporção era de 2,17. Como as reformas do CDP de São José dos Campos, para onde deveriam ser deslocados os acusados daquela Região, não têm data para ser concluídas, é natural se imaginar que a superlotação da unidade mogiana continuará por tempo indeterminado.
Esta transferência de presos, de uma região para outra, contraria a política de expansão de unidades divulgada pela própria Secretaria de Estado da Administração Provisória, de que os novos presídios seriam destinados a receber apenas os detentos da cidade sede e das de seu entorno. É exatamente por desconfiar que a SAP não cumpriria a diretriz que a população mogiana se mobilizou contra o plano de se construir no Município um Centro de Progressão Penitenciária. Resta comprovado, ainda, que o governo estadual não prima pelo planejamento nesta área. Afinal, que projeto de reforma é este que começa a ser executado sem previsão de término?
O episódio da transferência de novos presos para o já superlotado CDP de Mogi das Cruzes mostra que fica cada vez mais difícil acreditar nas palavras das autoridades penitenciárias. Quando denunciamos o caso pela primeira vez, com a absoluta exclusividade que caracteriza este jornal quando se trata de tema relevante, o próprio secretário de Estado da Administração Penitenciária, Lourival Gomes, veio a público para dizer que se tratava de uma medida temporária. Publicamos as declarações dele nos idos do mês de março. De lá para cá, no entanto, não mudou absolutamente nada. Enquanto isso, a preocupação com a segurança pública só faz crescer entre a população mogiana.