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  • GASTRONOMIA
  • 25.jun.2010     Redação
    Livro resgata a história e arte da culinária mineira

    Maria Lúcia Clementino Nunes, a Dona Lucinha, desembarca em São Paulo este mês especialmente para autografar o livro "A História da Arte da Cozinha Mineira por Dona Lucinha" – bela e fundamental obra que escreveu com sua filha, a historiadora Márcia Clementino Nunes. Editado pela Larousse e adaptado às novas regras ortográficas, o livro (176 páginas), resultado de longos anos dedicados à pesquisa da típica cozinha mineira, registra e resgata valiosas informações da cultura oral, das tradições, da fazenda e da tropa, de hábitos e costumes dos tempos das Minas do Ouro e do Diamante.

    O livro traz as saborosas receitas de pratos, doces, licores e outras delícias típicas com detalhamento dos ingredientes e sua origem. E ainda desvenda o segredo de tesouros como pão de queijo, mandioca assada no borralho, farinha de mandioca, mandioca com melado, pão de mandioca, biscoito de bagageiro, biscoito de goma, jucuba ou tiborna, chá de fubá, entre muitos outros.

    Sobre suas receitas, Dona Lucinha afirma, com a simplicidade típica da gente de Minas: "o meu trabalho é histórico e, como tal, não existem receitas minhas...da Dona Lucinha Dona Lucinha. As receitas são todas de Minas, criadas pelos índios, negros e portugueses. Simplesmente pesquisei e recuperei o que estava escondido nos baús de sete chaves". Ela acrescenta: "a minha missão e a das minhas filhas - Marta, Márcia, Elza, Heloísa, Ana Maria e Ana Cristina - que trabalham com paixão em nossos restaurantes, é manter as nossas origens. Por isso fazemos uma constante vigilância e perseverança, como o que realizamos há pouco em nosso restaurante de São Paulo para dar uma espécie de certificado de autenticidade a cada prato e receita. Existem culinárias mineiras sem raízes, que fazem a nossa comida receber um injusto chavão de comida pesada. O que é pesada é a Comida mineira feita fora dos padrões históricos, que deixavam de fora as habilidades e astúcias das cozinheiras indígenas e africanas. Este nosso livro contribui para a preservação da cozinha mineira e, claro, para os profissionais sérios que, com muito sabor e arte, criam pratos bem modernos, mas sempre utilizando os ingredientes fundamentais da nossa gastronomia".

    O livro pode ser encontrado no restaurante ou nas principais livrarias do País.

    Dona Lucinha nasceu no Sêrro, em novembro de 32, cidade barroca de Minas Gerais. Nos anos em que viveu em sua terra natal, atuou de formas múltiplas e mesmo mãe de onze filhos foi catequista, professora, salgadeira, doceira, feirante, quitandeira, diretora escolar e vereadora. Mas se considera mesmo uma cozinheira "de mão cheia" que se dedica a fazer, compreender e preservar a cozinha de origem – a da Fazenda e a do Tropeiro - gerada nas Minas do Ouro e do Diamante.

    Também nascida no Serro, graduou-se em História pela UFMG, em 1987. Estudou manifestações de religiosidade popular e produziu uma pesquisa da história e significação simbólica da Festa do Rosário do Sêrro. Por influência do curso que fez, percebeu a importância cultural e história de sua mãe, Dona Lucinha. Passou a dedicar-se, junto a ela, ao estudo da culinária mineira. Atualmente administra um dos restaurantes Dona Lucinha, em Belo Horizonte.

     

     

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