Quando um internauta em busca de informações digita no Google o nome de uma doença, como diabetes, ele encontra mais de 90 milhões de ocorrências. No meio desse turbilhão de dados, muitos são de procedência duvidosa, advertem especialistas. Porém, médicos de todas as especialidades ingressam na rede para responder dúvidas online. A iniciativa visa a suprir uma demanda crescente. Segundo pesquisa do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic), das 63 milhões de pessoas que acessaram a internet no País no ano passado, 39% buscaram informações sobre saúde.
"Essa interatividade é uma tendência universal em todas as áreas do conhecimento e a Medicina não está isenta disso", afirma o cirurgião Néstor Kisilevzky, que mantém um site informativo e recebe 200 e-mails por mês.
Foi por meio desse site que a advogada Silsi de Oliveira Mendes Henrique descobriu uma técnica de cirurgia chamada embolização uterina, que retira miomas do útero sem a necessidade de remover o órgão. Ela sofria com o problema havia dois anos e nenhum médico tinha oferecido essa alternativa. "Resolvi entrar na internet para procurar informações. Encontrei uma luz no fim do túnel", conta. A partir do primeiro contato eletrônico com o médico, Silsi agendou consulta e marcou a cirurgia para 15 dias depois. Já faz um mês que passou pelo procedimento e está satisfeita.
Segundo o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), o documento que regulamenta a publicação de informações médicas na internet é o Manual de Princípios Éticos para Sites de Medicina e Saúde, de 2001. Ele determina, entre outras coisas, que o site deve deixar claro se é educativo ou se tem fins comerciais e identificar o médico responsável com nome e número de registro.
Para os internautas que buscam se informar na internet, a recomendação do cardiologista do Hospital Beneficência Portuguesa Allyson Yukio Koda Nakamoto é procurar os sites oficiais das sociedades médicas. "O público tem que tomar cuidado. Se ele digita no Google o nome de uma doença, pode vir uma série de informações não confiáveis." Segundo ele, uma nova tendência entre as sociedades médicas é disponibilizar informações em linguagem para leigos.
O que levou o dermatologista Marco Antonio de Oliveira a criar um site, além da carência de informações de qualidade na internet, foi perceber que, muitas vezes, seus pacientes não conseguiam absorver tudo o que explicava durante a consulta. "Às vezes o paciente está tenso e fica um pouco atarantado com o excesso de informação", diz. Nesses casos, o médico recomenda que o paciente visite o site dele para retomar o que foi falado
É consenso entre os médicos que a facilidade de acesso a informações tem exigido cada vez mais dos profissionais. É o que pensa o cardiologista Rogério Ruiz, que há dois anos responde dúvidas online. "O paciente já vem para a consulta com informações, o que obriga o profissional a estar bem informado".