A Campanha de Vacinação Antirrábica terá início, em Mogi das Cruzes, no próximo dia 13, com expectativa de atingir 80 mil cães e 10 mil gatos até o 27 de setembro, quando a iniciativa será encerrada. A Secretaria de Estado da Saúde, por intermédio do Instituto Pasteur, já iniciou a distribuição de 7,2 milhões de doses da vacina contra a raiva animal aos 645 municípios paulistas. Só para o Alto Tietê são 452 mil delas distribuídas com meta de imunizar pelo menos 80% dos cães e gatos da região. No ano passado, foram vacinados em todo o Estado cerca de 5 milhões de caninos e 630 mil felinos.
Este é o nono ano seguido sem casos de raiva humana no Estado. O último registro da doença ocorreu em 2001, no município de Dracena, região de Presidente Prudente. A vítima, uma mulher, foi atacada por um gato que havia caçado um morcego infectado: "É importante que, durante a campanha de vacinação, a população também leve os gatos aos postos, não apenas os cachorros. Os felinos são mais predadores e estão mais sujeitos a caçar, por exemplo, um morcego com raiva e com isso se infectar", afirma Neide Takaoka, diretora do Instituto Pasteur, referência para todo o País em controle da raiva. A preocupação se justifica pela mudança no perfil epidemiológico da doença em São Paulo. Até o final da década de 1990, os cães eram responsáveis pela transmissão da maioria dos casos em humanos. Atualmente, este papel passou a ser desempenhado pelos morcegos.
A Secretaria iniciou, de forma coordenada, a imunização contra a doença nos animais em 1975. Antigamente, as pessoas atacadas por cão, gato ou morcego precisavam receber cerca de 20 vacinas na barriga para ficar imune à doença. Atualmente há necessidade de aplicação de cinco doses no braço. Estas vacinas são usadas em qualquer situação de risco e buscam impedir a aparição da doença.
As doses em humanos têm indicação em casos de pós-exposição (pessoas que tiveram qualquer tipo de acidente com mamíferos). Mas também estão disponíveis em casos de pré-exposição, para veterinários, funcionários de canis, laçadores de cães e ecoturistas. Neste último caso, são aplicadas apenas três doses.
A vacinação é gratuita e o risco de reação adversa do animal é mínimo. Os profissionais que aplicarão e manipularão a vacina serão orientados pela Secretaria de Saúde sobre o armazenamento e aplicação das doses.