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  • 29.jul.2010     Redação
    Maluf tem candidatura impugnada

    Foto: Divulgação

    SUSPEITO O deputado federal Paulo Maluf consta na lista de procurados da Interpol em 188 países

    SÃO PAULO

    A Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo (PRE-SP) impugnou no final da tarde de ontem o registro de candidatura do deputado federal Paulo Maluf (PP), que pretende disputar a reeleição este ano. O parlamentar teve a candidatura contestada com base na Lei Ficha Limpa, que torna inelegíveis candidatos condenados por colegiados de tribunais nos casos enquadrados pela legislação.

    A procuradoria decidiu impugnar a candidatura de Maluf por conta da decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), na segunda-feira, de não acatar recurso (embargo de declaração) apresentado pela defesa do deputado contra a condenação por participação em esquema de superfaturamento na compra de frangos em 1996, quando Maluf era prefeito de São Paulo.

    Em abril, o tribunal reverteu decisão que havia inocentado o parlamentar das acusações. Ainda tramita no TJ-SP outro recurso da defesa (embargo infringente).

    O PRE-SP também pede a impugnação de Maluf pelo fato de o deputado não ter apresentado à Justiça Eleitoral informações sobre processo criminal que responde nos Estado Unidos pelo "seu suposto envolvimento em esquema de superfaturamento de obras públicas no Brasil.". Por causa dessa ação, segundo o PRE-SP, Maluf consta da lista de procurados da Interpol em 188 países. A Procuradoria Eleitoral também cobra do parlamentar atestado de que ele estaria quite com a Justiça Eleitoral em razão de multas que lhe foram aplicadas.

    O nome de Maluf faz parte do terceiro edital de registros impugnados do TRE-SP, divulgado sexta-feira. Além do nome do ex-prefeito, outros candidatos, a serem divulgados hoje, devem sofrer impugnação da Procuradoria Eleitoral. O prazo para o PRE-SP pedir o veto de candidatos presentes nesse edital terminou ontem.

    Desde o início de julho, a Procuradoria Eleitoral impugnou 802 candidaturas de um total de mais de 1,4 mil pleiteantes. Com as contestações em mãos, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) tem até o dia 19 de agosto para julgar a situação dos candidatos, inclusive em grau de recurso.

    Mesmo que tenha a candidatura barrada, Maluf pode recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Supremo Tribunal Federal (STF) e, enquanto sua candidatura estiver sub judice, os efeitos de uma eventual decisão judicial contrária a seus interesses serão suspensos, permitindo-lhe participar das eleições deste ano.

    Esse tipo de situação foi prevista pelo procurador regional eleitoral de São Paulo, Pedro Barbosa Pereira Neto, em entrevista à Agência Estado no dia 16 de julho. "A minha impressão é de que teremos muitos candidatos concorrendo sub judice nessas eleições, e alguns até devem tomar posse dos cargos antes de ser julgados", afirmou.

    Na mesma ocasião, o presidente do TRE-SP, desembargador Walter de Almeida Guilherme, reconheceu que candidatos condenados e enquadrados no Ficha Limpa poderão concorrer se recorrerem à Justiça Eleitoral contra a impugnação. O desembargador observou, contudo, que a inelegibilidade, se confirmada, deverá ser aplicada mesmo que um candidato julgado como ficha suja já tenha assumido o cargo.

     

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