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“Bomba” na internet: mesmo ilegal, venda de anabolizantes corre solta

O uso de anabolizantes é indicado por profissionais de saúde em alguns casos. Mas há quem recorra ao mercado negro em busca das substâncias.

Por Metrópoles

14/02/2018 às 05h14 • atualizado em 13/02/2018 às 20h25

Doping in sport and steroid abuse concept with a dumbbell, a bottle of prescription pills and syringes with green and red liquid on a dark background

A busca pelo corpo perfeito se tornou meta para muita gente. Em tempos de Instagram e Facebook, quando uma imagem pode valer novos “amigos” e inúmeros likes, adeptos do estilo de vida “saudável” não satisfeitos com os efeitos da academia recorrem ao uso de anabolizantes para obter resultados mais rapidamente. Em uma busca no Google, os esteroides podem ser encontrados facilmente em sites. Mas a venda é ilegal, e o consumo desses produtos oferece graves riscos à saúde.

Os anabolizantes são substâncias sintéticas derivadas de hormônios (especialmente a testosterona) que atuam no crescimento celular, ósseo, muscular e de tecidos do corpo. Seu uso deve ser prescrito por um médico, a fim de compensar a perda ou falta de produção de hormônios naturais. No entanto, eles acabam sendo receitados por profissionais de saúde a pessoas que não têm indicação clínica de fazer uso desses produtos e recomendados por professores de educação física e instrutores de academia a alunos interessados em ganhar força e massa muscular apressadamente.

A indicação irregular da substância encontra terreno fértil na internet. Sites disponibilizam uma variedade de produtos que podem ser injetados ou consumidos oralmente. O mais comum é serem vendidos em ciclos prontos, geralmente com um mês de duração. De acordo com uma das páginas, os medicamentos são originais e produzidos em laboratórios certificados, apesar de a venda ser ilegal.

Com a facilidade na compra, os riscos são muito maiores. Algumas pessoas fazem uso das substâncias com frequência e realizam as aplicações em casa, sem qualquer cuidado com o manuseio. É o caso do engenheiro civil R. S., 25 anos, que, durante algumas competições de fisiculturismo, utilizava as chamadas bombas para melhorar seu desempenho.

“Eu comecei a usar anabolizantes com 17 anos, por influência dos amigos da academia, sem nenhum acompanhamento médico. Posteriormente, passei a utilizar por indicação médica. Aplicava sozinho, sempre correu tudo bem. Mas, certa vez, ao fazer autoaplicação, minha pressão baixou, e fiquei com dificuldades para respirar”, contou.

Em seu parecer nº 19/2013, o Conselho Federal de Medicina (CFM) afirma que o uso de anabolizantes deve ser reservado, unicamente, para o tratamento de doenças. O CFM, entre outras sociedades médicas, não autoriza a prescrição por nutricionistas, endocrinologistas, médicos ou profissionais do esporte para fins estéticos ou com o propósito de melhorar o condicionamento físico.

Com a facilidade na compra, os riscos são muito maiores.

O presidente da Sociedade Brasileira de Nutrologia, Dimitri Gabriel Homar, 61 anos, explica que a prescrição desses medicamentos deve ser realizada apenas por médicos, a partir de uma necessidade real e após avaliação dos exames do paciente.

“Não existem motivos para o uso desses medicamentos, desde que os níveis hormonais estejam normais. As substâncias só devem ser receitadas se houver um motivo certo, na hora certa e por um profissional capacitado”, disse.

O que fazemos, independentemente de o indivíduo estar ou não buscando um melhor condicionamento, é avaliar todo o seu perfil hormonal e corrigir o que estiver fora dos níveis ótimos”

Risco de morte
O uso ilegal de anabolizantes pode resultar em inúmeros problemas de saúde e até levar à morte. No entanto, de acordo com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal, os casos letais são subnotificados: acabam registrados como mortes por envenenamento ou em decorrência de falência múltipla de órgãos.

Segundo o nutrólogo Dimitri Homar, as substâncias podem resultar em câncer e infarto, além de provocar lesões em músculos e tendões. “Problemas de fertilidade também estão entre as consequências de ingerir esteroides, já que há grandes riscos de atrofia dos testículos e infertilidade. As doses de hormônio levam à perda da capacidade de produzir testosterona, o que pode causar uma possível impotência”, acrescenta o especialista.

Tabu
Na opinião de um personal trainer de Brasília que pediu para ter a identidade preservada, o debate a respeito de esteroides está ultrapassado. Segundo ele, a utilização desses medicamentos deveria deixar de ser um tabu.

“Quem quer alto rendimento tem que usar anabolizantes, não tem como ignorar esse fato. O esporte e os anabolizantes caminham lado a lado, e todo mundo sabe disso. Não é só corpo bonito. É rendimento, recorde, uma série de coisas”, disse o instrutor de academia.

A opinião do personal trainer, no entanto, vai contra o que é preconizado pelo Conselho Regional de Educação Física do Distrito Federal (Cref7). A entidade tem apurado episódios nos quais profissionais de educação física incentivam alunos a fazer uso dessas substâncias.

De acordo com a vice-presidente do Cref7, Nicole de Azevedo, o conselho tem punido os professores que atuam de forma ilegal: eles podem responder a processo ético, ter a licença suspensa e, nos casos mais graves, o diploma cassado. Para coibir o uso de anabolizantes para fins estéticos, a entidade atua em conjunto com os conselhos regionais e federais de medicina e de farmácia.

Metrópoles

Fonte: https://www.metropoles.com/brasil/saude-br/bomba-na-internet-mesmo-ilegal-venda-de-anabolizantes-corre-solta

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