Zezé Polessa quase disse "não" ao papel da exagerada Sofia de "Escrito nas Estrelas", exibida pela TV Diário. Disposta a dar um novo rumo à carreira televisiva, a atriz sente há algum tempo a necessidade de encarar personagens mais românticos. Do tipo que ela mesma chama de "moçonas" nos folhetins. Mas o diretor Rogério Gomes a convenceu a aceitar, mais uma vez, um papel cômico. "Sei que ele me entendeu, mas pediu que eu deixasse esses planos para depois porque não dava para perder essa personagem", resume ela, que ameniza a situação completando que essa é a primeira vilã cômica que interpreta na tevê.
A atriz sabe que é um dos nomes logo lembrados pelos autores quando o assunto é a comédia. E não esconde sua preocupação em ficar marcada por atuações no gênero. "Outro dia eu li uma entrevista com o Gilberto Braga e ele dizia que ator dele tinha de saber falar ‘me passa a manteiga, por favor’. Logo pensei: ‘tenho feito umas coisas na tevê que se ele vir, nunca vai achar que eu conseguiria isso", analisa.
Na história de Elizabeth Jhin, Sofia é uma mulher que faz de tudo para garantir o futuro da filha, a "patricinha" Beatriz, papel de Débora Falabella. Mas, para isso, as duas cometem diversas maldades que garantem um tom de humor à disputa para Beatriz se tornar mãe do filho de Daniel, de Jayme Matarazzo. O herói morreu logo no início da novela, mas seu sêmen foi guardado e descoberto pelo pai, doutor Ricardo, vivido por Humberto Martins. "O grande vilão ali é o Gilmar, interpretado pelo Alexandre Nero. A Sofia não é má a ponto de matar. Só de dar uma esfoladinha. A graça dela é o ridículo, ser um personagem tão deslocado no contexto. Mas é trabalhado com grande leveza", explica. Zezé conta que há tempos queria contracenar com Débora na tevê. As duas até fizeram uma novela juntas, "Agora É Que São Elas". "Ah, mas ninguém lembra. Éramos de núcleos diferentes. Depois, dirigi uma leitura de peça e a convidei. Ali começou a rolar uma admiração", conta.
Aos 56 anos, Zezé não se espanta em ter, mais uma vez, sua boa forma explorada por um personagem. E mesmo não se identificando com a maior parte das peças que compõem o figurino de Sofia, a atriz não concorda quando taxam a personagem de perua. "A intenção é mostrar alguém que copia modelos, que tenta parecer ser o que não é. Mas ela fica chique, existe um limite", defende. Para transparecer ainda mais a cumplicidade entre mãe e filha, não é difícil ver Débora e Zezé combinando no visual. "Aconteceu algumas vezes por acaso e, agora, sempre tentamos fazer isso. Uma saia verde em uma e a blusa da mesma cor na outra. Uma tem a bolsa com estampa de cobra e a outra, a carteira", exemplifica.
Tais combinações deixam claro que Zezé não errou no foco que decidiu dar à personagem. Assim que recebeu a sinopse da novela, a atriz optou, em acordo com Débora, fazer a composição em cima da união entre mãe e filha. "Criamos certos elos de corpo. Elas andam de mãos dadas, a mãe sente ciúme da filha, enfim, um monte de situações que beiram o ridículo", diz. (Márcio Maio/Carta Z Notícias)